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Banshee Chapter, uma homenagem feita bem

  • Foto do escritor: Marcos Tadeu Mageste
    Marcos Tadeu Mageste
  • 6 de mar. de 2019
  • 3 min de leitura

H.P Lovecraft nasceu em 20 de agosto de 1890, em Providence, Rhode Island. Sua influência na ficção só começou a ser significativa muitos anos depois de sua morte, com o movimento de contracultura da década de 60. Muitos trabalhos seus já foram adaptados para o cinema ou TV, mas resolvi trazer hoje para vocês uma homenagem bem clara à um dos contos dele, From Beyond (que já ganhou adaptação no fantástico filme homônimo de 1986). Vos trago o curioso Banshee Chapter.

Ficha Técnica


Direção: Blair Erickson

Ano de lançamento: 2013

Elenco principal: Katia Winter, Ted Levine, Michael McMillian

Duração: 87 min













Lovecraft é um cara difícil de se adaptar, a escrita carregada de sentimentos e percepções psicológicas não é fácil de se traduzir para a mídia assistida. Algumas pessoas conseguem fazer isso muito bem: From Beyond, Re-Animator, Call of Cthulhu, The Whisperer in the Dark. Porém, geralmente, as adaptações correm pro outro lado e trazem muito mais um filme inspirado na temática do que uma adaptação em si ( o que não é uma coisa ruim, na maioria das vezes). O que Banshee Chapter faz é homenagear Lovecraft, e de uma forma linda!


From Beyond (1986), Dagon (2001), Castle Freak (1995)

From Beyond é o conto de um cara que consegue fazer um aparelho eletrônico que emite uma onda de ressonância que estimula a glândula pineal da pessoa afetada, permitindo que ela veja planos de existência que estão fora do nosso escopo normal. Banshe Chapter pega essa ideia e aplica em outro cenário: os testes de controle mental feitos na década de 50 nos EUA, o projeto MK Ultra.

A premissa é a seguinte: Um cara chamado James estava pesquisando os efeitos de uma droga usada nos experimentos de controle mental dos anos 50, dize-se que o efeito era muito mais do que apenas controle mental. Ele consegue a droga e resolve experimentá-la, porém algo dá muito errado e ele some. Sua grande amiga de faculdade, a jornalista Anne, resolve ir atrás dele e descobrir a verdade sobre o seu desaparecimento.

O filme é bem interessante, ele tem uns jump scares na hora certa que colocam você num estado de tensão muito bom (como o delicioso The Last Shift, que eu ainda quero revisar aqui). No começo você acha que vai ser um found footage, mas logo volta pra câmera "normal" que acompanha Anne. Eu tenho duas críticas quanto ao filme: quando você sai do formato found footage, a câmera não é mais um personagem e nem deve se comportar como um; algumas vezes a câmera que acompanha Anne parece um personagem, alguém filmando, andando e sendo desajeitado. Isso me lembra o péssimo Chernobyl Diaries que sofre exatamente da mesma coisa, só que aqui a tremedeira ocupa pouco tempo de câmera; outra coisa é a atriz Katia Winter, que sinceramente não consegue segurar bem o filme sozinha, entregando alguns diálogos meio forçados e reações emotivas...estranhas, Ted Levine salva muito bem as coisas quando ele chega.

O que eu mais gostei é como ele pega From Beyond do Lovecraft e homenageia, chegando mesmo a citar o conto em certa parte do filme. Não é uma adaptação como o filme de 86, nem uma releitura como Cthulhu, de 2007. É um amalgama dos elementos que nós tanto amamos do conto com uma roupagem de conspiração governamental. Diferente de filmes que tentam homenagear alguém e acabam só por repetir tudo, este aqui tem a coragem de criar e trabalhar em cima da realidade proposta. Ele tem sim seus defeitos, mas com toda certeza vale a pena ser visto, principalmente se você curte temáticas Lovecraftianas.

Só uma última observação, que PODE SER CONSIDERADA UM SPOILER. O filme chama-se Banshee Chapter pois a droga abre a percepção mental nossa para uma outra realidade, em que entidades que eles chamam de Banshee habitam. Estas entidades são S-I-N-I-S-T-R-A-S e tentam usar o corpo das pessoas que tomaram a droga para se manifestarem na nossa realidade. É a ilustração da frase "Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha de volta para você." Se você consegue vê-las, elas conseguem ver você!


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O criador

Marcos Tadeu Silva
Escritor, professor de inglês, discípulo do Stephen King, admirador do Nicolas Cage, amante de ficção de horror, esquisitices, rock folk da Mongólia e assassino de investigadores novatos pois com Mythos não se brinca.
sIGA
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