HALLOWEEN EXTRAVAGANZA! 7 dias de reviews!
- Marcos Tadeu Mageste

- 25 de out. de 2020
- 4 min de leitura
É outubro, meu mês favorito! O único período do ano que é ok espalhar decorações de terror por aí sem ser taxado de psicopata. Neste lindo espírito do macabro, trago pra vocês algo inédito aqui no blog: uma extravaganza de Halloween. De hoje até o dia 31, postarei 1 review por dia de algum filme da aclamada série Halloween, tentando manter tudo o mais sem spoilers possível. Sem mais delongas, vamos ao filme de hoje!

Ficha Técnica
Direção: Rob Zombie
Ano de lançamento: 2007
Elenco principal: Scout Taylor-Compton, Malcom McDowell, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie
Duração: 121 min (versão do diretor, a melhor)
País de origem: Estados Unidos
Eu resolvi começar por esse pra causar logo de vez. E eu digo: esse Halloween do Rob Zombie é um filme fantástico! Se você não viu só "porque é um remake", vá de cabeça aberta e assista, vale muito a pena. Te garanto que na primeira vez que a música tema toca, com o Dr. Loomis analisando o comportamento do Michael criança, você irá sentir um arrepio subindo pela coluna.
Rob Zombie soube fazer uma excelente releitura do primeiro filme. Ele foi um cara esperto, usando o nosso conhecimento do filme original à favor dele, com easter eggs que servem a diversos propósitos (e não só pra enfeitar o filme). A trilha sonora é reaproveitada aqui também, sambando na nossa cara tão bem quanto o fez na película de 1978.
Por falar em música, o Sr. Zombie, enquanto músico, soube utilizar muito bem canções no decorrer do filme. Somos presenteados com músicas do KISS, Blue Oyster Cult, Alice Cooper, Nazareth (Love Hurts é usada de forma magistral), entre outros. Muitos pontos pra esse filme nesse quesito.
Enquanto estamos falando de coisas técnicas, o elenco do filme é lindo. O núcleo de adultos brilha demais. Malcom McDowell e Brad Dourif encaixam como uma luva nos papéis.
Scout Taylor-Compton é muito competente como Laurie, e retrata muito bem o impacto e a mudança que ser perseguida por um Michael Myers traz; a atuação dela no último take do filme é de arrepiar.
Tyler Mane tem assombrosos 2,03 metros de altura, fazendo com que, na humilde opinião daquele que vos escreve, seja o Michael Myers com o porte mais assustador de todos os filmes. A crueldade do personagem aqui também é notável.

O cara faz Danny Trejo parecer um anão
Por falar em Michael, Daeg Faerch convence horrores com a atuação de pequeno serial killer. Quando Loomis coloca a foto dele no fundo do seminário, com aquele olhar penetrante, você sente medo. Poucas vezes vi uma criança atuar tão bem, ainda mais num papel tão exigente.
Eu acho que o ponto em que Zombie mais acerta no filme é um que falta no original. Todo remake deveria tentar isso, olhar pro original e ver o que falta, ao invés de ser apenas uma tradução para audiências mais recentes (como o péssimo e esquecível remake de Poltergeist). No filme de 78 sinto muita falta de um desenvolvimento do Michael Myers, de ver algo do que acontece entre o assassinato da irmã e a fulga de Smith's Grove.
Enfim, o processo de desumanização do personagem Michael Myers é quase um ensaio sobre psicopatia. Um ambiente familiar horrível, perseguição pesada na escola, tortura de pequenos animais. A criança tem uma ligação muito forte com a mãe, mas todo o resto lhe é extremamente hostil. Depois dos assassinatos iniciais, ele passa a se esconder atrás de máscaras, onde pode viver em paz dentre de sua cabeça. Ao poucos, sua humanidade se esvai, deixando apenas as máscaras. Existe uma cena em que a mãe dele arranca uma máscara do seu rosto, e o pequeno assassino apenas grita de desespero; neste momento de gelar a espinha, notamos que aquele Michael Myers humano não existe mais, só a máquina de matar.
Claro que o filme tem seus problemas, como os típicos personagens white trash (termo utilizado para denominar uma classe social de pessoas brancas, pobres e de comportamento duvidoso) do Rob Zombie, com alguns tão desprezíveis e nojentos que você torce para que o Michael os despache logo. Tem uma câmera tremida em algumas cenas de muita intensidade que é um pouco incômoda também. Mas estes poucos pontos não estragam a maravilhosa experiência que é este filme.

O pequeno Michael Myers
Concluindo, se você ainda não assistiu ao filme pelo estigma do remake, ou se viu na época e ficou comparando-o com o original, dê mais uma chance à esta obra. O gore é lindo, Michael é uma máquina de matar imparável, e o filme faz a melhor coisa que todos nós apreciadores de uma boa história gostamos: mostre, não conte. O final tem uma subversão de expectativa bem legal e é excelente, redondinho, fechando com muita maestria a história do Michael. Seria uma pena se o estúdio fosse ganancioso e ordenasse uma sequência, que sairia em 2 anos, e estragaria tudo o que foi construído aqui...
Mas isto é assunto pro post de amanhã! Até lá!





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