Nós precisamos falar sobre Starry Eyes
- Marcos Tadeu Mageste

- 15 de out. de 2019
- 3 min de leitura

Ficha Técnica
Direção: Kevin Kölsch, Dennis Widmyer
Ano de lançamento: 2014
Elenco principal: Alex Essoe, Amanda Fuller, Noah Segan
Duração: 98 min
País de origem: Estados Unidos, Bélgica
Há algum tempo atrás eu cheguei uma daquelas listas aleatórias da internet: Os 10 melhores filme de terror ______ (insira aqui algum subgênero) de 2014 [Eu AMO essas listas]. Achei esse filme, tinha na Netflix (foi retirado u.u), e adicionei ele na lista. Numa noite de filmesm depois de dar aquela passeada básica pela lista, escolhi ele aleatóriamente... E que surpresa boa, meus amigos!
Starry Eyes conta a história de uma jovem atriz que tenta fazer a vida como tal na cidade de Los Angeles. Essa moça, Sarah, acaba dando de cara com um papel muito importante em um filme de terror de uma renomada produtora e descobre que o papel vai exigir muito mais do que simplesmente saber atuar.
Me lembro de alguns anos atrás de um filme que era pra homenagear os filmes de temática satanistas das décadas de 70/80. E foi uma presepada só: uma campanha de marketing gigante, lançaram o filme em VHS e um aparelho de video cassete também... Só que esqueceram de investir no roteiro do filme, resultando em um soco de tédio de 90 min (me ajudem aí, se alguém lembrar o nome do filme comente por favor!). Meu ponto é: Starry Eyes faz essa homenagem, sem forçação de barra e ainda traz elmentos novos pra não ficar só no saudosismo!
Pra começo de conversa, ele é um filme lento, de desenvolvimento vagaroso, lembrando muito "O Bebê de Rosemary". Diferente dos filmes de terror de Hollywood que nós temos hoje, não vemos jump scares, sustos de trilha sonora, ou estes artifícios que só servem pra agradar uma geração nova que precisa de ritmos frenéticos. O filme é maravilhosamente conduzido pela atriz principal, a desconhecida Alex Essoe; ela coloca toda a alma e profundidade numa personagem que exige isso. Por causa dela sofremos muito ao assistir o filme e, muitas vezes nos perguntamos se ela não colocou um pouco mais dela na personagem do que seria necessário em termos de sanidade. O clima do filme começa bem leve, com as dificuldades de uma aspirante a atriz e seus amigos de fazer sucesso numa cidade que respira cinema. Vemos uma rivalidade boba aqui, um isolamento ali e tal. Então a partir de um ponto chave do filme, o clima vai se fechando e ficando pesado...e é isso que eu amo em filmes de terror lentos bem executados, esse clima de tensão crescente, de desespero, de falta de esperança e de luz na vida, esse peso no coração. Gosto da palavra "pavor" pra descrever o que eu senti vendo este filme, não terror, não medo, mas pavor. Pra não dizer que o filme é só uma passada lenta, perto do final temos uma cena de gore incrivelmente gráfica, que é de virar o rosto...Por falar em gráfico, o trabalho de maquiagem na atriz principal é soberbo, o decaimento da sanidade dela vai acompanhado por uma mudança doentia em suas feições.
Agora eu preciso falar da trilha sonora desse filme. Esse é uma daquelas películas em que a trilha sonora é um personagem, coisa que está praticamente extinta hoje em dia ( um dos melhores exemplos que tenho sobre trilhas que são personagens está em Suspiria, do mestre Dario Argento, de 1977). A trilha LINDA feita com sintetizadores, composta por um Jonathan Snipes, dá o tom do filme, acompanha envolvendo tudo como um abraço sinistro de satanás. Contemplem!
Se não assistiram Starry Eyes ainda, assistam. Se assistiram e cochilaram, tentem mais uma vez assistir a este filme que faz uma homenagem tão incrível a filmes de terror igualmente incríveis, sem deixar de surpreender.
P.S: Aqueles vermes da cena da banheira eram de verdade...sim, eles eram de verdade...





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