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THE THING! Terror através dos anos

  • Foto do escritor: Marcos Tadeu Mageste
    Marcos Tadeu Mageste
  • 13 de jul. de 2019
  • 7 min de leitura

Nesses últimos dias estive imerso em uma obra de ficção incrível: "Who goes there" do John W.Cambell Jr. , publicada em 1938. O motivo foi bem simples: a querida editora Diário Macabro lançou uma incrível campanha de lançamento do tal livro em português: "O Enigma de Outro Mundo" e me pediram pra escrever umas curiosidades sobre os 3 filmes, curiosidades que você pode ver no instagram do blog ou no da editora. Dito isso tudo, resolvi assistir aos 3 filmes inspirados na obra e acho que tenho algumas coisas interessantes a falar sobre eles. Vou fazer uma pequena review de cada um separado e depois uma conclusão geral.

Só uma ultima coisa sobre o livro que a Diário Macabro está lançando, a versão deles é tipo uma versão estendida. Em 2018 descobriram que o Who Goes There tinha muito material extra, com um começo totalmente diferente. Lançaram com o nome Frozen Hell, e é essa versão que teremos!


Ficha Técnica

Direção: Christina Nyby, Howard Hawks

Ano de lançamento: 1951

Elenco principal: Kenneth Tobey, Douglas Spencer, Margaret Sheridan

Duração: 87 min
















Em 1951 o mundo havia acabado de sair da Segunda Guerra, os cientistas haviam criado a terrível bomba atômica e o exército dos Aliados salvara a humanidade da ameaça nazista. Disso, os cineastas americanos tiraram duas conclusões: Cientistas são vilões que estão dispostos a sacrificar a humanidade para terem mais conhecimento e o exército é a salvação de todos. E é esse pano de fundo onde o filme acontece. Eles encontram uma nave alienígena enterrada no gelo, acabam explodindo ela ao tentar retirá-la de lá, mas por sorte encontram também um espécime congelado há alguns metros do local de queda. Esse espécime é levado de volta a base num bloco de gelo e graças a uma trapalhada digna de gente sonsa, acaba sendo descongelado e sai pra tocar o terror na base. Dos 3 filmes, este é o que é mais distante do livro, e o ponto de principal discrepância é A Coisa. Aqui ela é um organismo planta (que inclusive numa cena meio ridícula, é cultivada pelo cientista) que não possui o poder de metamorfose (eles não tinham dinheiro pra isso), além de nunca nem vermos um close do rosto dela, já que a maquiagem não era boa o suficiente para parecer convincente. Uma outra coisa negativa no filme é o personagem do jornalista, interpretado por Douglas Spencer. Ele só abre a boca pra reclamar e ser exageradamente dramático, numa atuação horrível! Mas o filme tem seus méritos: ele passa no teste do tempo, sendo efetivo até os dias de hoje; A Coisa, espreita a instalação militar e é anunciada pelo piscar do contator geiger, gerando cenas tensas; a trilha sonora tem aquela grandiosidade das trilhas dos anos 50, é bem boa. Um último ponto legal aqui é a abertura do filme, com as letras surgindo, é um efeito bem legal pra época e foi usado também nos dois filmes que se seguiram. Enfim, eu recomendo assistir nem que seja por curiosidade, vale a pena!


Ficha Técnica

Direção: John Fucking Carpenter

Ano de lançamento: 1982

Elenco principal: Kurt Russel, Wilford Brimley, Keith David

Duração: 127 min















Primeiro de tudo, sim eu não usei o poster mais conhecido do filme porque nem o diretor gosta dele. Esse aí é muito mais lindo. Com isso fora do caminho, prossigamos.

Outro dia eu disse que se eu pudesse comer um filme, seria esse, de tão gostoso que ele é. Primeiro vamos ao elenco, TODOS os atores são competentes, até os mais estereotipados, como T.K Carter. Wilford Brimley encarna o cientista rabugento muito bem, e a cena que ele pira é memorável. Agora, sobre Kurt Russel... eu comecei a ler o "Who goes there" em inglês, enquanto não sai a edição da Diário Macabro, e devo dizer que fiquei com vergonha de como o autor descreve o personagem do MacReady... É uma descrição quase de desejo sexual, é uma enaltação do físico do cara bem exagerada, sobre altura, barba e porte físico. Curiosamente, Kurt Russel cai como uma luva na descrição do autor, e desempenha seu papel de bêbado que não gosta de gente perfeitamente! Não tenho absolutamente nada a reclamar do elenco. A trilha sonora é assinada por ninguém menos que Ennio Morricone... Se você é desinformado e não sabe de quem eu estou falando, ele foi o cara que compôs isso aí:


A trilha do filme é perfeita, ela dá o tom do filme desde as primeiras notas, e sinceramente a música tema é uma das minhas músicas favoritas. Tomem, ouçam enquanto leiam:

Algum filho de chocadeira resolveu, na época, que essa trilha linda era digna de concorrer ao Prêmio Fambroesa por pior trilha sonora. Assim como o filme, que foi um fracasso na época (E.T havia sido lançado semanas antes, o público esperava uma interpretação mais benigna de um alienígena, contribuindo para o filme ser uma bomba), a trilha foi melhor avaliada e se tornou um clássico absoluto.

Mas o que é mais gostoso nesse filme para mim é o gore, os efeitos práticos perfeitos! Tudo é feito com maestria pelo Rob Bottin, que tinha só 22 anos na época!!! São efeitos práticos que ficam com você, que envelheceram sem perder nenhum pingo de charme. Eles causam aquela estranheza necessária para o filme, e sinceramente o pessoal usou de modo tão inesperado que nós temos a sensação de que é um alienígena mesmo, imprevisível em aparência e mudanças. Aquela cabeça alienígena vai ficou marcada em minha memória para sempre, pulem pra 1:07 :


Pra fechar, o filme apresenta o ambiente ao redor, o frio, como muito mais ameaçador em relação ao anterior. Aqui o frio do lado de fora e o isolamento são uma constante que constroem muito bem a angústia no todo.

É interessante falar também que existem um bobilhão de teorias sobre os acontecimentos desse filme na internet, de em que momento tal personagem foi infectado, uma outra sobre se os personagens no final seriam humanos ou não, enfim, uma gama infindável de discussão nerd que vem rendendo nos últimos 37 anos.

Sério, vejam esse filme se vocês não viram ainda, e vejam de novo e de novo e de novo...


Ficha Técnica

Direção: Matthis van Heijningen Jr.

Ano de lançamento: 2011

Elenco principal: Mary Elizabeth, Joel Edgerton, Ulrich Thomsen

Duração: 103 min















Eu lembro do bafafá ao redor desse filme. Primeiro disseram que ia ser um remake, todo mundo ficou louco, depois mudaram de ideia e resolveram fazer um prequel, já que os produtores disseram pra Universal que o filme do Carpenter já era perfeito e não precisava de um remake. Quem dera os estúdios ouvissem as pessoas que entendem das coisas...

Enfim, fazer prequels interessantes é uma coisa super complicada, todo mundo já sabe onde vai chegar a história, você acaba tendo que obedecer certas "regras" impostas pela sequência, te prendendo no próprio filme. E quando você não faz isso, as pessoas notam; no filme de 1982 vemos uma fita de vídeo dos noruegueses usando termite para derreter o gelo e liberar a nave alienígena congelada. Aqui eles simplesmente ignoraram isto, por algum motivo. Tirando esse plot hole, eu achei que a continuidade da coisa ficou muito bem feita, os pequenos detalhes que vemos quando Kurt Russel visita a estação no filme de 82 estão todos lá: o machado na parede, o cara que se matou, a Coisa queimada, o blocão de gelo. Inclusive eles usaram a altura do Kurt Russel como estimativa para construir o set da base norueguesa! Outra coisa legal é que na abertura do filme são tocadas algumas notas da trilha clássica do Ennio Morricone, que já te deixa no humor certo para assistir o resto da película.

Mas o filme tem, infelizmente, muitos defeitos. Primeiro, nós temos personagens sem propósito algum, parecem um bando de capangas aleatórios dos Power Rangers que só servem pra apanhar. Apesar de ser muito interessante ver o Tormund (Kristofer Hivju), ele é simplesmente o mesmo personagem que é em Game of Thrones, só que em 1982. Mary Elizabeth Winstead é competente como sempre, mas sinceramente, eles só colocaram ela aqui no filme pra ter alguém falando em inglês, caso contrário o filme todo seria legendado e os americansfuckyeah odeiam filmes legendados.

Agora eu vo falar da parte que na minha opinião é o mais completo desrespeito com a obra do Carpenter: os efeitos especiais. O time de efeitos fez o maior número possível de animatrônicos e tudo foi gravado assim, sobrando só alguns detalhes para serem preenchidos por CGI. Imagino qual a surpresa deles ao ir ver o filme no cinema e ver que a desgrama do estúdio tinha colocado CGI por cima DE TUDO! Além de terem mudado o final na nave com infames reshots. E assim o filme foi um fracasso, pois ele falhou miseravelmente em agradar quem ele mais devia agradar: as pessoas que gostam do filme de 82.

Não me entendam mal, o filme não é RUIM, ele é um filme passa-tempo que foi estragado pelo estúdio (como uns mil outros). Vale ser assistido sim!




Bem, analisando o todo, podemos notar coisas muito interessantes: o terror sempre reflete a sua época. No primeiro filme, o medo da ciência, militares em armadura brilhante salvando o dia. No segundo filme podemos fazer um paralelo com guerra fria, não confiar nas pessoas que te rodeiam, nunca saber se aquela pessoa é "humana" ou um espião. O terceiro filme reflete a era do déficit de atenção, tudo precisa acontecer rápido, não da pra ser um filme de desenvolvimento lento como os 2 anteriores, a era em que os estúdios contratam diretores novos mas não dão a liberdade criativa que eles merecem.

O cenário de isolamento é muito bem criado nos três filmes, apesar de a ameaça do frio ser mais ou menos intensa em cada película. A Coisa definitivamente é melhor nos filmes de 82 e 2011, a de 51 é só um cara muito alto que nunca está em foco.

Se eu fosse recomendar uma ordem pra assisitir seria: 82, 2011, 51, o que seria também a ordem, na minha opinão, do melhor pro menos bom.

Espero que vocês tenham gostado! A análise ficou longa mas não acho que ela poderia ter sido feita de forma separada! Fiquem com os trailers:





Comentários


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O criador

Marcos Tadeu Silva
Escritor, professor de inglês, discípulo do Stephen King, admirador do Nicolas Cage, amante de ficção de horror, esquisitices, rock folk da Mongólia e assassino de investigadores novatos pois com Mythos não se brinca.
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